O milagre Eucarístico de Siena: as Hóstias que estão incorruptas ao longo dos séculos

No dia 14 de agosto de 1730, na cidade de Siena, véspera da festa da Assunção de Maria, aproveitando-se do fato da população e sacerdotes estarem reunidos para as celebrações, criminosos invadiram a Igreja de São Francisco. 

Eles arrombaram o sacrário e furtaram a cibório de ouro que continha 348 hóstias inteiras e seis metades consagradas. O sacrilégio só foi percebido na manhã seguinte, necessitando do cancelamento das festividades em andamento.

A notícia espalhou-se rapidamente, gerando uma onda de pesar. O comércio fechou as portas e as autoridades iniciaram buscas intensas, enquanto a Igreja convocava atos e orações de reparação

Três dias depois, em 17 de agosto, um fiel notou algo branco saindo da fresta de uma caixa de esmolas na Igreja de Santa Maria em Provenzano, vizinha à Igreja de São Francisco. Ao abrirem o recipiente, as Hóstias foram encontradas cobertas por poeira, teias de aranha e misturadas a moedas, indicando o total descaso dos ladrões - interessados somente no ouro do cibório. Isso ocorreu porque à época as caixas de esmolas apenas eram abertas anualmente, gerando detritos de poeira, teias e sujeira no seu interior.

Após serem cuidadosamente limpas, constataram serem as Hóstias roubadas na Igreja de São Francisco, pois eram exatamente na mesma quantidade (348 e seis metades), assim como tinham os formatos dos ferros em que foram cozidas. As Eucaristias foram levadas de volta à Basílica de São Francisco em uma procissão solene que mobilizou toda a cidade. Estas não foram consumidas pelos sacerdotes e fiéis pois apesar terem passado por limpeza ainda podiam conter sujeiras, assim como foram frutos de orações de reparação, necessitando guardá-las por algum período.

O aspecto milagroso surgiu com o passar das décadas. Em condições normais, a Eucaristia (composta apenas de farinha de trigo e água) começa a se deteriorar e criar fungos em pouco tempo, especialmente em ambientes úmidos. No entanto, as hóstias de Siena permaneceram frescas, incorruptas, quimicamente puras e com o odor de pão ázimo, desafiando as leis naturais da decomposição orgânica. 

Ao longo dos séculos, o fenômeno foi submetido a rigorosos exames:

  • Em 1780 e 1789: autoridades eclesiásticas confirmaram a integridade física das hóstias.
  • Em 1854: Foram realizados testes comparativos com hóstias não consagradas, que se tornaram irreconhecíveis em poucos anos, enquanto as de 1730 permaneceram intactas. 
  • Em 1914: O exame mais famoso, solicitado pelo Papa São Pio X e conduzido por professores de química, farmacêutica, bromatologia e higiene da Universidade de Siena, incluindo o renomado professor Siro Grimaldi, concluiu que a conservação era "um fenômeno extraordinário que foge às leis naturais", descartando qualquer tratamento químico prévio

Até hoje, séculos depois, as hóstias permanecem expostas à veneração na Basílica de São Francisco em Siena. Na Festa de Corpus Christi, as Eucaristias também são veneradas em procissão pelas ruas de Siena.

O renomado físico e cientista Enrico Medi, também considerado Servo de Deus e Venerável pelo Vaticano (decreto promulgado pelo Papa Francisco em 2024), irradia sua fé no milagre de Siena:

"Esta intervenção direta de Deus é um milagre (...) um milagre no sentido estrito da palavra, realizado e mantido milagrosamente durante séculos, testemunhando a realidade permanente de Cristo no Sacramento da Eucaristia. Nestes tempos tão difíceis para o cristianismo e a Igreja, em que ressurgem falsas doutrinas que procuram minar a nossa fé, a cidade de Siena ergue a sua bandeira e mostra ao mundo o seu milagre."

Referências: Arcidiocesi di Siena, The Real Presence, Miracoli Eucaristici, Apostolado de La Santa Missa Diaria, @pocketterco, Cathopedia. Obs: imagem gerada por I.A.