A noite em que São Bento quebra a rígida regra do mosteiro devido ao milagre da tempestade por intercessão de sua irmã gêmea, Santa Escolástica

A tradição cristã preserva, através dos escritos de São Gregório Magno, um dos episódios mais bonitos da vida monástica. Santa Escolástica e seu irmão gêmeo, São Bento, mantinham o costume de se encontrar anualmente em uma pequena casa situada nas terras do mosteiro de Monte Cassino.

Esses momentos eram dedicados exclusivamente ao louvor divino e a conversas sobre a vida espiritual. Mas em fevereiro de 543, o que seria o último encontro terreno dos irmãos, passava com tamanha profundidade que o tempo pareceu acelerar. Com o cair da noite, Escolástica, sentindo que sua partida estava próxima, fez um apelo não muito esperado: 

"Peço-te que não me deixes esta noite, para que possamos conversar até amanhã das alegrias da vida celestial".

Bento, pautado pela rigorosa disciplina da regra que ele mesmo ajudou a escrever para o mosteiro que proibia os monges de dormir fora de suas celas, negou prontamente o pedido, afirmando: 

"Que é que dizes, minha irmã? De modo algum posso passar a noite fora da cela".

Diante da negativa do irmão, Escolástica não argumentou mais. Ela inclinou a cabeça sobre as mãos entrelaçadas na mesa e fez um pedido diretamente a Deus. 

No instante em que encerrou seu pedido silencioso, a natureza reagiu de forma drástica: o céu, anteriormente límpido, foi tomado por uma tempestade tão torrencial que impediu qualquer tentativa de saída da casa por São Bento. 

Surpreso com a mudança súbita do clima, Bento compreendeu que havia uma intervenção divina e questionou: "Que Deus onipotente te perdoe, irmã; que é que fizeste?".

A resposta de Escolástica tornou-se um marco da teologia do amor: "Pedi a ti e não quiseste ouvir-me; pedi ao meu Senhor e Ele ouviu-me. Agora, pois, se podes, sai; deixa-me e volta para o mosteiro".

Vencido pela vontade divina, Bento permaneceu. Os irmãos transcorreram a noite em vigília, conversando sobre as alegrias eternas e outros temas sagrados até o amanhecer, quando ele finalmente retornou ao mosteiro.

Aproximadamente três dias depois, enquanto Bento rezava em sua cela, ele teve uma visão mística: viu a alma de Escolástica abandonar o corpo e ascender aos céus na forma de uma pomba branca. O santo então enviou seus discípulos para buscarem o corpo da irmã, sepultando-a no túmulo que ele havia reservado para si. 

Assim, aqueles que foram unidos pela alma na terra, permaneceram unidos pelo repouso do corpo no aguardo da ressurreição.

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Oração a Santa Escolástica

“Santa Escolástica, pelo mistério da comunhão dos santos, ouso lhe pedir a graça de silenciar e não procurar conversas que não me levem para as ‘coisas do Alto’. Peço-te a graça de, no ambiente onde eu vivo e trabalho, ser um instrumento da paz, como também amar os meus irmãos como você amou São Bento, seu irmão gêmeo. Amém.”

Referências  Vatican News, Canção Nova, @vocacaodedeus@tesourosdafecatolica