
Em seus profundos momentos de êxtase místico, registrados em sua obra magna O Diálogo, Santa Catarina de Sena questionava o coração de Deus sobre os mistérios da Providência. Uma das maiores aflições da santa residia em compreender por que os homens perversos e distanciados da graça divina tantas vezes prosperavam materialmente, gozando de sucesso, riquezas e honras temporais neste mundo.
Em resposta, o Pai Eterno revelou-lhe a perfeita engrenagem de Sua justiça e misericórdia. Deus explicou à Doutora da Igreja que mesmo as pessoas más, que O rejeitaram voluntariamente, realizam algumas ações humanamente boas ao longo da vida terrena. Como o Criador é infinitamente justo e nenhuma boa obra fica sem retribuição, Ele recompensa esses pequenos atos positivos com bens materiais e êxitos ainda na Terra. Entretanto, os bens terrenos são passageiros e não constituem a recompensa definitiva.
Essa concessão, contudo, serve também como um grave alerta: por terem negado a salvação e escolhido o egoísmo, esses indivíduos já esgotam toda a sua recompensa no tempo presente. Quem rejeita livremente a graça divina e permanece no pecado sem arrependimento afasta-se da comunhão eterna com Deus. Após a morte da carne, restará a eles apenas o sofrimento eterno por suas culpas não arrependidas.
Em contraste, os que acolhem a vontade divina, perseveram na caridade e permanecem fiéis, mesmo enfrentando sofrimentos e provações terrenas, recebem uma recompensa que não termina com a morte: a participação eterna na vida de Deus. Assim, sua verdadeira e indizível recompensa está guardada principalmente para a eternidade, onde desfrutarão da união perene com Deus.
Assim, Santa Catarina contempla que a justiça divina ultrapassa os limites desta existência, revelando que o verdadeiro prêmio não é o sucesso terreno, mas a felicidade eterna preparada para aqueles que amam o Senhor. Dessa forma, Deus manifesta simultaneamente sua misericórdia e sua justiça, concedendo a cada pessoa aquilo que corresponde às escolhas feitas ao longo da vida.
MAS ENTENDA: isso não significa que prosperar e ter sucesso é ruim!!! Deus pode permitir isso a um cristão aqui na terra também, desde que ele saiba usar adequadamente esses benefícios para o bem também de seu próximo, não se tornando escravo do dinheiro. Como ensina o Frei Gilson: "quanto mais você ganha, mais você pode ajudar e fazer outros a prosperarem também, que por sua vez ajudarão a mais gente, etc". Torna-se um grande círculo virtuoso de ajuda cristã. O dinheiro, a riqueza, precisam gerar um propósito cristão em sua vida e não um motivo de sua perdição.
São Carlo Acutis foi um grande exemplo disso: era jovem, belo, rico e morando em Mião, cidade do glamour. Tinha tudo para ter levado uma vida despojada e desregrada. Mas optou por seguir os caminhos do Senhor e levar sua família junto, mostrando a eles com seu exemplo cristão de que aquela riqueza precisava de um sentido. Hoje a família Acustis ajuda o mundo, sendo que atualmente sua mãe e seu pai são pessoas muito discretas e desprendidas das riquezas mundanas.
Mas Deus não abandona seus filhos, como Jesus disse (Mateus, 6:33): "Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês". Então se você busca trabalho com dignidade, é honesto, põem Deus em primeiro lugar em sua vida, mas está com sérios problemas financeiros, Deus oferta alguns tesouros celestiais para nos ajudar.
Um deles é a intercessão dos Santos. Santo Expedito é um dos padroeiros das causas urgentes a quem você pode recorrer para uma intercessão para saldar suas dívidas financeiras. E a dica ainda é: nunca deixe de ajudar seu próximo, mesmo em momentos de aperto nas contas bancárias, pois isso demonstra sua confiança em Deus de que Ele lhe proverá, de forma que "todas as demais coisas lhe serão acrescentadas".
Referências: Livro da Divina Doutrina - O Diálogo, de Santa Catarina de Sena, @rezartv1, @padrefabiovieira, @eu.murilosoares; homilias do Frei Gilson